Visite também
os nossos sites
Tuttirev Editorial | Casas de Madeira | Cake Design
Tel. Geral
(+351)219 666 880
Tel. Assinaturas
(+351)219 666 880
Tel. Publicidade
(+351)219 666 885
Escolha o seu
fundo preferido
Revistas Livros/CD/DVD Actividades Artigos/Notícias Multimédia Eventos
Fábula sinfónica
2010-02-05
Extracto de uma obra do autor português Jorge Salgueiro, da Orquestra Didáctica, em A Quinta da Amizade, op. 65

Do ponto de vista da educação musical, o trabalho é concebido com o objectivo de reforçar a distinção auditiva das diferentes personagens. A cada um dos animais, que protagoniza cada momento da história, corresponde um instrumento musical (ou família) diferente, exigindo a identificação do timbre do seu respectivo instrumento e da sua linha melódica específica, que se vai modificando em função do desenvolvimento da narrativa.
Assim temos as seguintes personagens para nos divertirmos ao longo da exploração desta obra: as Abelhas (família das cordas); o Rato (violino solo); os Passarinhos (flauta transversal e flautim); os Patos (oboé e fagote); os Gatos (clarinete e clarinete baixo); o Pónei (trompete); o Cão (trompa); o Elefante (trombone); o Porco (tuba).
Para o trabalho na sala de aula A Quinta da Amizade prevê, para além da identificação supracitada (que incide essencialmente na exploração do timbre), a convivência com outras dimensões como as progressões e contrastes de dinâmicas (exploração da intensidade do som), a prática instrumental com flauta de bisel ou com percussão de altura indefinida, a identificação de andamentos rápidos e lentos (exploração da duração) ou a identificação de alturas com jogos mímicos que acompanham a linha melódica do trombone com o movimento literal da tromba do Elefante (altura do som).
Do ponto de vista estético, a obra transforma-se com a narrativa e oferece-nos uma diversificação estilística ímpar, pois o compositor consegue-nos brindar com ambientes que vão desde uma canção, que para todos cantarem no final, se reveste de um carácter melódico mais ligeiro com recurso a uma harmonização mais neoclássica, até momentos de música serial, ou outros momentos de plena tensão com uma harmonização bastante densa para nos colocar na pele dos animais que fogem de uma tempestade terrível.
Não podendo abordar a obra inteira neste espaço, cuja intenção é essencialmente dar-vos a conhecer abordagens diferentes no domínio da educação musical, optámos por sugerir um extracto. O episódio que aqui vos deixamos, serve para “exercitarmos” o nosso ouvido para a distinção entre dois instrumentos da família dos metais, ou melhor, dos sopros de metal: o trompete (que representa o Pónei) e a trompa (o Cão).
Corresponde à parte da história em que o Pónei e o Cão fazem uma espectacular corrida para disputar o estatuto de animal mais rápido da Quinta da Amizade.

ACTIVIDADE PROPOSTA
O Pónei e o Cão

1.ª Etapa – apropriação da narrativa
Narrativa: «Os animais acordaram sobressaltados com a notícia de que uma tempestade iria assombrar todos os campos e bosques. No meio da violenta tempestade, corriam em todas as direcções sem saber para onde ir: os Pássaros, os Patos, os Gatos, o Pónei, o Cão, o Porco e as Abelhas. Na grande confusão que se seguiu, em que cada um fugia para seu lado, ouviram crianças a chamá-los para uma quinta onde estariam a salvo da tempestade. Já na Quinta, todos os animais quiseram brincar com as crianças: os primeiros foram as Abelhas e os Passarinhos; logo depois o Porco fez uma marcha com os Patos e levaram as crianças atrás; os Gatos estavam tristes, mas logo as crianças lhes deram um Rato para brincar; o Pónei e o Cão não paravam, faziam corridas para mostrar às crianças quem era o mais rápido…Quando se pensava que já todos os animais estariam a salvo, eis que chegou um animal desconhecido de todos e que só poderia – pensavam – vir de muito longe, talvez até de África, pois nunca teria sido avistado nas redondezas. Era o Elefante, grande e barulhento, que corria em direcção à Quinta para se abrigar, fazendo estremecer tudo em seu redor. Sendo diferente dos outros pelo seu tamanho, cor e forma, desde logo causou a rejeição dos outros animais, que ao contrário do que seria esperado, tentaram expulsá--lo da Quinta, onde a Amizade deveria ser a palavra de ordem. Triste e desesperado o Elefante vê como única solução pedir ajuda às crianças. É então que se ouve a Canção da Amizade, entoada por todas as crianças, que através dela, pedem a todos os animais para que sejam amigos e recebam o elefante de braços abertos.»

2.ª Etapa – explicação da actividade pretendida

Vamos assistir à corrida do Pónei e do Cão. Como já percebemos, o Pónei é re-presentado pelo som do trompete e o Cão pelo som da trompa (aconselha-se a consolidação do conhecimento prévio destes dois instrumentos). A sala dividir-se-á em dois grupos, preferencialmente separados geograficamente (entenda-se: em locais opostos da sala), que assumirão respectivamente o papel das claques do Pónei e do Cão. Acontece que estas claques são muito especiais, aliás, são mágicas! Isto, porque conseguem apoiar o seu atleta recorrendo apenas à expressão corporal e em completo silêncio. Então as regras são as seguintes: (1) os sons vocais estão expressamente proibidos durante a acti-vidade; (2) só nos poderemos manifestar quando o nosso atleta está na frente da corrida, isto é, quando o seu instrumento correspondente assume o solo. Podemos pular, esbracejar ou gesticular de outra forma qualquer; (3) quando se ouvem os dois instrumentos em simultâneo, significa que os atletas estão lado a lado, pelo que ambas as claques se devem mani-festar; (4) quando não se ouve nenhum dos dois instrumentos, provavelmente estão numa parte do percurso da corrida onde não os conseguimos avistar pelo que não nos poderemos manifestar.

3.ª Etapa – Audição integral da peça O Pónei e o Cão
Descarregar em: http://www.focomusical.org/mp3download.htm ou em
www.tuttireveditorial.com/pag/coisas_crianca.html
Durante uma primeira audição, é importante ir tentando com as crianças, chegar a alguma conclusão relativamente ao que está a acontecer a cada momento levantando questões de aferição (por
exemplo: “qual o animal que vai à frente?” “E neste momento, conseguem ouvir os dois?” “E agora, concordam que não se ouve nenhum deles?”). Com os mais pequenos, a correspondência com o nome do instrumento não é importante. O importante é que os distingam auditivamente entre si, ainda que apenas lhes chamem pónei ou cão. Se o fizerem correctamente, está atingido o primeiro objectivo, pois consolidámos uma competência que se prende com a distinção tímbrica e/ou melódica. Se então quisermos avançar para um campo dito cognitivo (reforçamos o “dito” por razões óbvias) e conseguirmos que as nossas crianças, para além de identificarem as personagens, lhes saibam atribuir o instrumento correspondente, pois tanto melhor, alcançaremos outro objectivo. A actividade de movimento, através das claques, trará um entusiasmo ou motivação extra, que contribuirá certamente para que a aprendizagem proposta se torne significativa. A identificação colectiva permitirá igualmente que os grupos se entreajudem, adquirindo cada indivíduo uma maior segurança na sua capacidade de discriminação auditiva.

4.ª Etapa – Verificação através do “musicograma”
Um musicograma não é mais do que um esquema visual representativo da música. É uma espécie de partitura em imagens que nos permitem identificar determinado elemento convencionado, de uma forma mais ou menos imediata. Este suporte que aqui vos deixamos, deverá servir não só para avaliação e consolidação da actividade que desenvolveram, mas também para estudo, caso o adulto (educador, professor ou encarregado de educação) que adopte esta actividade não esteja familiarizado com o mundo da orquestra e os seus timbres correspondentes.
Explicação da leitura do musicograma: (1) a música está escrita em compasso quaternário – quer isto dizer que sentimos a acentuação natural de 4 em 4 tempos – e cada quadrado corresponde a um compasso, pelo que em cada quadrado deveremos sentir a contagem dos 4 tempos correspondentes. Os traços que dividem cada quadrado simbolizam precisamente as barras de compasso da partitura; (2) de 4 em 4 compassos, ou seja, de 4 em 4 quadrados, colocámos uma barra mais grossa, convencionando uma quadratura para que as crianças (e os adultos) não se percam na leitura; (3) os momentos em que os instrumentos estão a assumir a sua função estão preenchidos a cor - a trompa (Cão) está a roxo e o trompete (Pónei) a vermelho – correspondendo os quadrados a branco ao silêncio de cada um dos dois instrumentos; (4) as cores escolhidas não representam qualquer associação cor-timbre, tendo a opção recaído apenas no critério de proximidade entre si, pela semelhança tímbrica existente entre os dois instrumentos de uma mesma família (os metais), aqui em evidência.

Considerações finais
A temática extra-musical abordada nesta obra foi objecto de selecção rigorosa. Esta reflexão não cabe neste artigo e é assunto transversal no que diz respeito a áreas do conhecimento (ou curriculares se preferirem). Não é por acaso que a “educação para a cidadania” é assumida como transversal às “áreas curriculares disciplinares de frequência obrigatória” no ensino básico e à “formação pessoal e social” desde o jardim-de-infância quando se sistematizam as orientações e/ou planos curriculares. Num plano mais amplo, para além do domínio da educação musical, é aconselhável um investimento na análise e reforço dos valores implícitos na mensagem.

FICHA TÉCNICA DA ACTIVIDAD
E
Música e História: Jorge Salgueiro
Interpretação: Orquestra Didáctica da Foco Musical
Direcção: Jorge Salgueiro
Edição da versão disponibilizada: Foco Musical / Fonoteca Municipal de Lisboa
Concepção da actividade: Equipa de coordenadores da Foco Musical  (Carlos Ferreira Lopes, Dinis Fortunato Mendes, Miguel Nabais Pernes)

Actividades
Expressão Musical
Copyright © 2017 Tuttirev Editorial
Design & Powered by Magnetic Pixel

Warning: Unknown: write failed: Disk quota exceeded (122) in Unknown on line 0

Warning: Unknown: Failed to write session data (files). Please verify that the current setting of session.save_path is correct (/tmp) in Unknown on line 0